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"É o que sinto,professora !"

Sábado, 24.11.07

" Eu não gosto da sala B . Sinto-me muito triste porque a professora põe-nos a todos nervosos e não ensina bem. Quando uma pessoa adulta está ao pé dela, ela arma-se em santinha e quer dar educação aos seus alunos, não gosto, detesto-a, ela é horrível, era para chamar-lhe mais coisas.

Gosto mais das pessoas que me dão apoio, que são a professora Isabel e a professora Joana, a contínua e a minha mãe e avós. E mais pessoas, adoro-as sempre me acompanharam em tudo que era preciso".(15/11/07)

 

 

Transcrevi exactamente o que li, num caderno diário de uma criança de 10 anos. Frequenta uma turma do 1ºCEB (primária) no 4º ano de escolaridade. A turma é formada por alunos do 3º e 4º anos.

Há algum tempo que os professores desta escola se debatem com a insatisfação, a indisciplina e o insucesso dos alunos da turma B .

Há algum tempo que os professores desta escola não se calam, não fecham os olhos ao que vêem e sentem.

Há tempo demais, que a tristeza, o desencanto, os afecta.

É tempo demais, a calar o sonho destas crianças.

É urgente repensar; que escola, que professores.Que direitos, que deveres, que valores.

Não estará na hora, de pensar num, Perfil, para professor??

OBS:

 Esta aluna corajosa,para os seus 10 anos, não quer ver o seu grito perder-se no tempo, sem eco... os seus colegas, têm outros registos, sentem o mesmo, também não.

Os nomes referidos são fictícios.

Voltarei a este assunto, inevitavelmente.

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publicado por dolce_vita às 18:59


13 comentários

De A VER NAVIOS a 24.11.2007 às 19:40

Completamente de acordo.
Há uns meses escrevi algo sobre essa matéria, mas levei muita pancada.
Está-se a ver de quem, noão está?
Cumprimentos,

J. Lopes

De dolce_vita a 24.11.2007 às 21:47

Vou "aguentar a pancada" sou uma mulher que não se derruba fácilmente, muito menos, quando o que vejo e sinto,se reflecte nos que estão à minha volta.é o caso.Tenho uma estrutura física e psicologica muito maior que uma criança,eu posso "apanhar",uma criança,NUNCA.
Mário, isto não é guerra,é o grito pela dignidade na minha profissão e pelas das crianças.Comecemos pelas nossas salas de aula.
um abraço

De saltapocinhas a 25.11.2007 às 00:18

esta história revolta-me.
E ainda me revolta muito mais saber que a futura avaliação de professores se calhar vai "lixar" os bons (ou razoáveis) e deixar impunes estes incompetentes.
GRRRRRRRRR....

De dolce_vita a 25.11.2007 às 00:42

não tenho nenhumas dúvidas disso,mas que dá nos nervos,dá.Chega de pôr a mão por cima da cabeça de quem não quer,não aceita, qualquer tipo de ajuda para fazer face às limitações, que afinal todos temos ,mas que humildemente e com vontade,vamos atenuando.
Que desencanto!

De daplanicie a 25.11.2007 às 11:04

Temos tendência para falar pouco dos maus profissionais que existem na nossa classe mas na verdade há pessoas que têm mais perfil para guardar gado do que para educar crianças e elas sentem-no muito bem. Mesmo que não tenham a coragem dessa pequena grande menina.
Beijinhos

De Lua de Sol a 25.11.2007 às 16:39

É por não te deixares derrubar, por escreveres o que sentes e o que acreditas que te admiro.
Em nenhuma profissão se pode dizer que os profissionais são todos excelentes. Francamente, se aqui aparecer algum professor irritado vai irritar-me! Porque trata-se de sermos humanos de reconhecermos qualqidade e defeito em tudo o que nos rodeia. É como na política, aquelas pessoas que simpatizam com um partido tão fanaticamente que faça o partido o que fizer o defendem sempre... Que se o partido do lado tomar uma posição mais correcta e sensata vão deitá-lo abaixo na mesma... E no futebol, aqueles que quando o clube perde porque jogou mal partem tudo?! parece que têm viseiras. Ninguém com viseiras e com falta de vontade pode melhorar este mundo ou ser justo. E lá por se falar explicitamente contra aquilo a que estamos ligados não quer dizer que estamos a denegrir toda uma classe... Eu, sempre fui jornalista e muitas vezes revoltavam-me e ainda me revoltam o comportamento desumano de certos jornalistas e individualidades ligados ao meio! E depois?! Como pessoa não posso compactuar. Antes de jornalista sou pessoa! E também não vou ter dois pesos, duas medidas.
A Educação pública anda pela hora da morte. Quer seja pelos sucessivos governos que, como em todas as áreas, não sabem geri-la, não sabem de verdade aplicar medidas eficazes, debruçam-se mais a"tapar buracos" e a culpabilizar ou os professores, ou os pais ou os alunos...Se fazem falta collants, eles oferecem peúgas, porque tapa os pés na mesma, não se preocupando se de meias já estávamos servidos para quando usássemos calças; que a urgência era em ter collants para pôr com saias e calções... Enfim... E depois, acho que tem vindo a acontecer um fenómeno que em nada tem beneficiado a classe dos professores: muitos licenciados que não arranjam trabalho enfiam-se no ensino, como tábua de salvação para as pestanas que queimaram na licenciatura, e sem qualquer vocação... Dramático.
A minha filha diz que a professora de música não tem paciência nenhuma, nenhuma... que não percebe como ensinar música a miúdos tão pequeninos(6 anos) e que não param quietos... Cada vez que ela se despede (já que é só duas vezes por semana), ela pensa que ela se despede para sempre... Porque terá sempre a ideia que ela não volta?! E mais, ela canta muitas vezes em casa as músicas que aprende na escola. As músicas que o professor (que lhe dá as aulas normais: portugês, matemática, etc.) lhe ensina...E não as que a professora de música canta...Estranho...

Obviamente que há professores excelentes e não é raro ver reportagens com professores por este país fora que fazem quase "milagres"...

Beijo grande
Sara

De Estupefacta a 25.11.2007 às 22:54

Há como em tudo bons e maus profissionais. Não sei se o Perfil para professores resolverá. Que perfil ? Baseado nos conhecimentos técnico-científicos , pedagogias, relacionamento? tudo isto?
A verdade é que professor que não consiga «chegar a um aluno», não consiga «agarrar» esse aluno... pode ter os maiores conhecimentos do Mundo... mas nada consegue ensinar e nada conseguem aprender com ele.
Essa criança tem uma sensibilidade extraordinária e há que aproveitá-la.
Um grande beijinho

De Teresa Silva a 26.11.2007 às 13:48

Eles apenas procuram uma oportrunidade de viverem como nós...
Amores impossiveis, amores avassaladores, uma luta pela vida numa sociedade intolerante... Até quando eles vão manter o segredo?
Vem conhecer esta história no meu blog...
Espero por ti...
Boa semana

De Teresa Silva a 26.11.2007 às 13:50

Sim, defacto é terrivel que as crianças que vão para a escola supostamente para apreender se sintam constrangidas... Acho que são motivos como estes que podem levar ao abando escolar e em alguns casos a violencia escolar, aos colegas e professores... Acho que como cidadadaos, pais, alunos, irmãs temos a obrigação de exgir um determinado padrão da pessoa que irá educar as crianças... Tens todo o meu apoio...

De Zita a 26.11.2007 às 16:44

Os idosos e as crianças são o "grupo" que eu costumo dizer, mais acessivel . Para tudo é necessária uma vocação, uma disponibilidade, um estar atento e saber ouvir. Também na sala de aula isso deve acontecer, não é novidade para ninguém. Muitos dos professores são pais e mães, daí a devida existencia de uma sensibilidade extra para lidar com o dia-a-dia das crianças.
Acho que muitas vezes o aluno se dirige ao professor na busca de um pequeno gesto e ou atençao . Porque nao dedicar um acto simpatico e nao uma atitude de afastamento.
Apesar de toda a controversa que tem existido na educaçao , da desmotivaçao , das dificuldades, os professores ao transpor o limiar da porta deverão deixar os problemas do lado de fora. Viver o momento dar o seu melhor.
Não disse nada de novo, apenas é a forma como vejo esta profissao e por alguns exemplos que conheço.

De crescer_e_aprender a 26.11.2007 às 20:24

São situaçoes como estas que levam a que tantos alunos se acabem por desinteressar pela escola e o abandono escolar (que o governo tenta diminuir com algumas medidas no mínimo ridiculas) aumente. Professores demasiado cansados, outros sem qualquer vocaçao para ensinar ou mesmo demasiado absorvidos pelos seus proprios probelmas para se preocuparem se nao so a materia como os valores civico-morais que todos devemos ter presentes na nossa vida chegaram aos alunos. É por isso que é preciso ter atenção quem forma e como o faz. Na minha parte, na grande maioria tive sorte. Tenho tido excelentes professores, alguns mais marcantes que outros, mais cativanes que outros, mas sempre com uma conduta moral de louvar, que acabam por se tornar quase sempre mais que professores. Um grande beijinho

De blogando-me1 a 27.11.2007 às 15:26

Arrepiei-me ao ler isto. Como mãe e com um filho no 4º ano, se ele me chega a casa com uma conversa dessas, acho que me ia passar um bocado. Sou auxiliar, como tal já passei por várias escolas. Nesta onde estou, que fica mesmo na minha cidade e onde tive o privilégio de estudar, sei de casos de miúdos que não gostam dos profs, claro que é uma escola secundária, mas não deixam de ser crianças. Revolta-me saber o que alguns profs. fazem aos alunos e depois saem da sala de aula todos sorrisos. Mas este caso é mais gritante, porque afinal são crianças de 10 anos. Srá que não vão ficar traumatizados para o resto da vida? Tive um caso na familia, em que uma sobrinha ainda hoje anda no psicologo, por causa dos maus tratos do Sr. professor. A sorte dele é ela não ser minha filha, porque eu fazia-lhe a folha isso sim. A minha cunhada foi obrigada a mudar a filha de escola, pois cada vez que tinha de ir para a escola ficava doente.
Penso eu que há pessoas que nem para tratar dos animais serviam, quanto mais crianças.
Desculpa o desabafo amiga.
Bjs fofos

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